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Mario Antonio Soldatelli

Natural de Flores da Cunha - RS, atualmente residindo em Porto Alegre. Autodidata, desde criança já desenhava e pintava.
Sua outra grande paixão é a aviação, sendo ex-integrante da Força Aérea Brasileira - foi aluno da Escola de Especialistas da Aeronáutica e do Curso de Formação de Pilotos Militares - CFPM, Natal - RN, em 1973.
Trabalhou na Fábrica de Helicópteros do Brasil - Helibras e, atualmente trabalha na Divisão de Serviços Aéreos do Estado do Rio Grande do Sul.
Como hobby é aeromodelista.
Participou de diversas exposições coletivas e individuais, recebendo vários prêmios, tais como: Primeiro lugar no Centenário da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul, com a obra "As Botas do Imigrante".
Premiado no III Salão de Artes Plásticas Luiz Teixeira.
Obras selecionadas para compor cartões Natalícios.
Três obras na Pinacoteca Aldo Locatelli, Museu Municipal de Caxias do Sul e várias obras por todo o Brasil, bem como no exterior.
Participou de programas do "Momento de Arte", na TVGuaíba, canal 2.












A MINI-SAIA E O NORTH AMERICAN T-6 TEXAN

Com vários quartéis do exército, a cidade já era poderosa e agora então, nem pensar, a nova Base Aérea já estava em sua atividade plena. Além de cidade militarizada era também universitária.
Década de setenta, armas de todos os tipos, canhões, tanques de guerra, metralhadoras, aviões, helicópteros, etc... Mas havia na cidade mais uma arma poderosa que abatia qualquer militar: A mini-saia. Para nós, jovens militares da Força Aérea, estávamos vivendo momentos eufóricos, éramos novidade na cidade acostumada com as fardas verdes, agora havia os "azuis" que vieram do céu.
A cidade fervilhava de gente nova, tanto na idade como novos na localidade. A Base Aérea era também jovem, recém criada com gente de todos os cantos do país.
O EMRA (Esquadrão Misto de Reconhecimento e Ataque) era o nosso orgulho, tínhamos a "bolacha da Pantera Negra" costurada no peito.
Os aviões e helicópteros, estes nos levavam às alturas, nossas máquinas de guerra. Estavam lá no pátio enfileirados, os North American T-6 Texan, os helicópteros Bell UH-1H, os Regentes L-42, os Universal T-25 e até um "Mata Sete"(Beechcraft C-45, bi-motor para sete lugares).
A Base ficou situada num bairro retirado da cidade. Próxima de uma das cabeceiras da pista foi construída a Universidade Federal, lotada de alunos e principalmente de alunas que na sua grande maioria usavam a mini-saia.
A curiosidade era grande em relação a nova Unidade Militar,principalmente os helicópteros. Todos queriam conhecer aquelas aeronaves que pareciam "sapões voadores".
Um fato extraordinário estava acontecendo com as escalas de serviço dos fins de semana. Todos detestavam tirar serviço nestes dias.
Agora acontecia o contrário, havia até disputa para "caírem" na escala. A resposta para toda essa concorrência no serviço, era devido ao enorme número de visitantes que queriam conhecer as aeronaves. Obviamente que não eram "os visitantes" mas sim "as visitantes". Não havia outra coisa à ver senão as universitárias. Lá estavam elas, todas de mini-saias.
Assim, encantados pelas suas curvas, com a nossa vista aguçada, nem parecíamos os "Panteras" mas transformados em "Águias", examinando as beldades que enfeitavam a nossa Base Aérea.
Os privilegiados, como sempre, era o pessoal de serviço, levavam as visitantes para o passeio nas dependências da Base e principalmente no pátio das aeronaves.
Na pista, o grande atrativo eram os helicópteros, mas para as gurias a nossa orientação era para que conhecessem nos mínimos detalhes o avião North American T-6.
O NA T-6 , famoso avião que por muito tempo equipou a Esquadrilha da Fumaça, tinha um grande e redondo motor (radial de 9 cilindros) e era bem alto do chão. Transportava dois tripulantes em "tanden" (um na frente e outro atrás). Existia na lateral dos dois assentos, duas espécies de cones conectados por uma mangueira que servia para os tripulantes urinarem, a qual levava o líquido para o exterior pulverizado por um tubo de venturi. Relativo a este fato, que não tinha nada de agradável, era quando as visitantes sentadas nas naceles e uma delas pegava um destes cones de urinar e perguntava para que servia. A resposta era sempre a mesma:
- Serve para vocês falarem uma com a outra.
O acesso para o interior do avião, dava-se subindo pela asa esquerda apoiando-se um dos pés num dos estribos e alçando-se a outra perna, entrava-se assim em uma das naceles. Este pequeno detalhe de subir no T-6 e sentar na nacele era motivo de todo este pandemônio. Esta era a nossa armadilha, aí onde os "Panteras" viravam "aves de rapina".
Ah! que visão! As mini-saias... As gurias que subiam na asa e sentavam com o manche do T-6 entre as pernas!
Estávamos com tudo, o North American T-6 era o nosso amigo, não só despertava para a guerra, como também para o amor. O único avião que não necessitávamos olharmos para fora para vermos a "paisagem".
Assim vai a vida. No início tudo é festa, mas os anos chegam em que o tempo acaba com muitas alegrias.
A mini-saia saiu de moda, o T6 foi desativado da Força Aérea e as gurias não vieram mais.



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