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A MINI-SAIA E O NORTH AMERICAN T-6 TEXAN
Com
vários quartéis do exército, a cidade já era poderosa
e agora então, nem pensar, a nova Base Aérea já estava em
sua atividade plena. Além de cidade militarizada era também universitária.
Década de setenta, armas de todos os tipos, canhões, tanques de
guerra, metralhadoras, aviões, helicópteros, etc... Mas havia na
cidade mais uma arma poderosa que abatia qualquer militar: A mini-saia. Para nós,
jovens militares da Força Aérea, estávamos vivendo momentos
eufóricos, éramos novidade na cidade acostumada com as fardas verdes,
agora havia os "azuis" que vieram do céu.
A cidade fervilhava de gente nova, tanto na idade como novos na localidade. A
Base Aérea era também jovem, recém criada com gente de todos
os cantos do país.
O EMRA (Esquadrão Misto de Reconhecimento e Ataque) era o nosso orgulho,
tínhamos a "bolacha da Pantera Negra" costurada no peito.
Os aviões e helicópteros, estes nos levavam às alturas, nossas
máquinas de guerra. Estavam lá no pátio enfileirados, os
North American T-6 Texan, os helicópteros Bell UH-1H, os Regentes L-42,
os Universal T-25 e até um "Mata Sete"(Beechcraft C-45, bi-motor
para sete lugares).
A Base ficou situada num bairro retirado da cidade. Próxima de uma das
cabeceiras da pista foi construída a Universidade Federal, lotada de alunos
e principalmente de alunas que na sua grande maioria usavam a mini-saia.
A curiosidade era grande em relação a nova Unidade Militar,principalmente
os helicópteros. Todos queriam conhecer aquelas aeronaves que pareciam
"sapões voadores".
Um fato extraordinário estava acontecendo com as escalas de serviço
dos fins de semana. Todos detestavam tirar serviço nestes dias.
Agora acontecia o contrário, havia até disputa para "caírem"
na escala. A resposta para toda essa concorrência no serviço, era
devido ao enorme número de visitantes que queriam conhecer as aeronaves.
Obviamente que não eram "os visitantes" mas sim "as visitantes".
Não havia outra coisa à ver senão as universitárias.
Lá estavam elas, todas de mini-saias.
Assim, encantados pelas suas curvas, com a nossa vista aguçada, nem parecíamos
os "Panteras" mas transformados em "Águias", examinando
as beldades que enfeitavam a nossa Base Aérea.
Os privilegiados, como sempre, era o pessoal de serviço, levavam as visitantes
para o passeio nas dependências da Base e principalmente no pátio
das aeronaves.
Na pista, o grande atrativo eram os helicópteros, mas para as gurias a
nossa orientação era para que conhecessem nos mínimos detalhes
o avião North American T-6.
O NA T-6 , famoso avião que por muito tempo equipou a Esquadrilha da Fumaça,
tinha um grande e redondo motor (radial de 9 cilindros) e era bem alto do chão.
Transportava dois tripulantes em "tanden" (um na frente e outro atrás).
Existia na lateral dos dois assentos, duas espécies de cones conectados
por uma mangueira que servia para os tripulantes urinarem, a qual levava o líquido
para o exterior pulverizado por um tubo de venturi. Relativo a este fato, que
não tinha nada de agradável, era quando as visitantes sentadas nas
naceles e uma delas pegava um destes cones de urinar e perguntava para que servia.
A resposta era sempre a mesma:
- Serve para vocês falarem uma com a outra.
O acesso para o interior do avião, dava-se subindo pela asa esquerda apoiando-se
um dos pés num dos estribos e alçando-se a outra perna, entrava-se
assim em uma das naceles. Este pequeno detalhe de subir no T-6 e sentar na nacele
era motivo de todo este pandemônio. Esta era a nossa armadilha, aí
onde os "Panteras" viravam "aves de rapina".
Ah! que visão! As mini-saias... As gurias que subiam na asa e sentavam
com o manche do T-6 entre as pernas!
Estávamos com tudo, o North American T-6 era o nosso amigo, não
só despertava para a guerra, como também para o amor. O único
avião que não necessitávamos olharmos para fora para vermos
a "paisagem".
Assim vai a vida. No início tudo é festa, mas os anos chegam em
que o tempo acaba com muitas alegrias.
A mini-saia saiu de moda, o T6 foi desativado da Força Aérea e as
gurias não vieram mais.
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