| Ten.
Brig. do Ar João Camarão Telles Ribeiro |

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"Réquiem"
para um homem digno
O Brigadeiro Camarão partiu. Sim partiu, porque morte é uma palavra muito definitiva e os grandes homens não morrem, pois permanecem vivos através de sua obra e dos homens honrados que ajudaram a forjar. Esse "Filho altivo dos ares", alçou mais um vôo ousado, o vôo definitivo. O Brigadeiro Camarão partiu. Mas partiu com a cabeça erguida, com a certeza do dever cumprido, algo hoje, quando, como dizia Ruy Barbosa, o homem chega a se envergonhar de ser honesto, de uma raridade inquietante, partiu deixando um legado de honradez e dignidade a ser seguido por todos que tiveram o privilégio de privar de seu convívio, ainda que dentro da distância regulamentar. O Brigadeiro Camarão partiu. Mas continuará vivo em cada sala de aulas desse país, quando uma criança estudar que o ponto mais alto do Brasil é o Pico da Neblina. Presente prestado à Pátria por seu espírito sempre inquisitivo e atento, percebendo e pesquisando, de dentro de seu Catalina "Pata Choca", que aquele monte distante, que vislumbrava no horizonte, ainda pertencia ao Brasil. O Brigadeiro Camarão partiu. Mas a cada vez que ligarmos a televisão e assistirmos a um desses programas, hoje "politicamente corretos", tratando da integração da Amazônia e da proteção às comunidades indígenas, saberemos que ele, com a discrição que só os sábios sabem possuir, talvez, nesses últimos cinqüenta anos, tenha sido o brasileiro que mais devotou esforços para manter a Amazônia íntegra, sem a exploração nem a espoliação de suas comunidades indígenas, tratando esses primeiros brasileiros com amor e, principalmente com respeito. O Brigadeiro Camarão partiu. Mas todas as vezes que formos a Barbacena e com orgulho e saudade olharmos a nossa EPCAR, saberemos que praticamente tudo o que lá está, mais algumas coisas que comandantes que o sucederam, porém sem o seu talento não souberam manter, foi obra de seu formidável tino administrativo e capacidade criativa, algo de que a nação hoje se vê tão carente. O Brigadeiro Camarão partiu. Mas sempre quando ouvirmos falar da truculência de alguns maus militares durante o regime de exceção, lembraremos que durante aquele período obscuro, houve um comandante militar, que não apenas perdoou um grupo de jovens idealistas, que tentaram raptá-lo, como os protegeu e empregou, transformando potenciais inimigos em aliados, numa lição de estratégia política elegante e civilizada. Lembraremos que num momento em que as elites pensantes eram caladas à força, em numa escola militar sob seu comando, estudávamos, de forma privilegiada, autores e matérias proibidos pelos que temiam a verdade. O Brigadeiro Camarão partiu. Mas todos os dias, quando nos olharmos no espelho e o pudermos fazer bem dentro dos olhos, sem nada com o que nos envergonhar, lembraremos de seu exemplo e lições de cidadania, criando uma escola, sob a disciplina militar, porém muito mais voltada à formação para a vida, pois ele sabia que apenas homens dignos e honrados podem ser bons líderes, estejam em que atividades estiverem, e a dignidade vem do conhecimento e a honradez do exemplo, dois pontos básicos da filosofia por ele implantada na escola. O Brigadeiro Camarão partiu, porém deixou profundamente plantadas em nossos espíritos as sementes da audácia de ousar, enquanto todos se deixam levar pela corrente, da coragem de destoar, mesmo quando o silêncio pode ser a saída mais fácil, da ternura de perdoar, pois melhor do que destruir um inimigo é construir alianças. "Entre as nuvens, no céu, vendo a terra...", as legiões de anjos e arcanjos soprarão hoje seus clarins e trombetas, pois o Brigadeiro Camarão partiu e aqueles que aprenderam a admirá-lo elevarão seu olhar e ouvirão vindo do firmamento em sua honra: "Oba... Papai chegou..."
68-114 Brasil Você
que voou com o Brig. Camarão, que serviu com ele, que tem uma história
para contar, por favor, envie-a para o BuscAérea
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