Charles Astor

Esse pequenino grande homem era respeitado por todos nós que o conhecemos pessoalmente e fomos instruídos por ele nas artes da ginástica acrobática e nas técnicas do salto de pára-quedas. Lembro-me de uma discussão que ele teve com nosso saudoso coléga Soares, o Amazonas. Este era um exímio acrobata da cama elástica. Era treinado de perto pelo Professor Charles Astor; aperfeiçoou-se de tal forma que era capaz de dar um triplo mortal para a frente e aterrissar no meio da lona. O Professor dizia que o salto acrobático na lona deveria ser primeiro imaginado e preparada sua execução antes do salto propriamente dito. Em outras palavras, dizia que depois de tomada a impulsão para o alto não era mais possível modificar a acrobacia premeditada. Mas o Soares dizia que poderia mudar todo o esquema alguns décimos de segundo antes de chegar no ponto morto alto do impulso.
Pode, não pode, pode, não pode ... Os dois decidiram partir para a prova real: O Soares subiu na lona e o Charles atento ao ponto máximo da impulsão, um pouco antes dele, dizia: Giro para frente! Giro para trás! E o danado do Amazonas executava tudo com perfeição! Talvez o Charles não soubesse que o cadete Amazonas, para assustar os colegas desprevenidos, fingia ter escorregado no primeiro degrau da escada que levava do andar dos alojamentos ao pátio interno do Corpo de Cadetes nos Afonsos, e descia quicando com os calcanhares na extremidade dos degraus para sair andando lá em baixo no pátio.

Contribuição do cadete 45-222 Santos do Primeiro Curso Prévio dos Afonsos


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